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O transtorno do espectro autista (TEA) consiste na presença de dois grupos principais de sintomas: (1) déficit persistente nas interações sociais e comunicação e (2) presença de comportamento repetitivo e com interesses restritos. Estes sintomas precisam estar presentes antes de 3 anos de idade e trazer prejuízos na vida diária do paciente.

Os sintomas de TEA podem ser notados desde cedo na vida de crianças afetadas. Por exemplo, crianças de 1 ano de idade apresentam comportamentos típicos tais como: dar tchau;  falar, ao menos, uma palavra; olhar para onde você aponta quando diz “olhe para ______”; aguardar você falar para responder, mesmo que de forma pouco compreensível. A ausência destes sinais deve levantar a suspeita de TEA. Crianças de cerca de 18 meses gostam de compartilhar coisas das quais gostam, tais como programas de TV e olham nos olhos dos pais mostrando satisfação em dividir aquele momento. Da mesma forma, nesta idade, já fazem pequenos jogos de “faz de conta” como “alimentar a boneca” e “preparar comidinhas”. A ausência destes achados pode ser indicativo de TEA. Os pais também devem estar atentos para comportamentos pouco usuais como: criança que anda na ponta dos pés, sem uma causa ortopédica ou muscular para isto; criança que não percebe quando os pais entram no quarto; criança que prefere ficar isolada a interagir com os demais; criança que gosta de repetir movimentos com o corpo ou com as mãos quando está excitada ou nervosa; e criança que fica extremamente incomodada com sons um pouco mais altos e lugares cheios.

Nos últimos anos, tem-se percebido um aumento importante no número de casos de TEA. A explicação para este fenômeno não é clara. Entretanto, sabemos que o risco de TEA é aumentado em filhos de pais mais velhos; crianças que possuem familiares já afetados pelo transtorno; crianças com determinadas doenças genéticas, como Síndrome de Down e Síndrome do X-Frágil; e filhos de mães que usaram determinados medicamentos durante a gestação (por exemplo: ácido valpróico – medicamento utilizado para tratamento de epilepsia).

O diagnóstico de TEA é eminentemente clínico e não são necessários exames para confirmar o diagnóstico. Em geral, o médico solicita exames para esclarecer a causa do TEA ou outras condições clínicas que possam estar associadas.

Não há cura para o autismo, mas o tratamento pode render bons resultados, principalmente quando a criança é diagnosticada precocemente. Os métodos que tradicionalmente mais trazem benefícios aos pacientes com TEA são: TEACCH, o ABA e o PECS. Medicamentos só são utilizados quando a criança autista apresenta quadros de agitação, agressividade, desatenção ou comportamento compulsivo que tornam seu dia-a-dia muito difícil e prejudicam as terapias. Caso contrário, estes pacientes não necessitam de medicações.