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Dor de cabeça é uma das causas mais frequentes de encaminhamento aos serviços de neurologia pediátrica. Seu impacto no dia-a-dia das crianças é imenso, sendo importante motivo de absenteísmo escolar. Há estudos demonstrando que as dores de cabeça crônicas podem ter repercussões negativas na qualidade de vida dos pequenos pacientes tão importantes quanto doenças mais sérias como câncer.

As dores de cabeça podem ser divididas em primárias e secundárias. Na primeira, não se identificam causas para a dor em exames clínico-laboratoriais ou de imagem. Como exemplo, podemos citar a enxaqueca. Na segunda, podemos identificar uma causa de agressão ao cérebro em exames clínico-laboratoriais ou de imagem, como, por exemplo, os tumores cerebrais, meningites ou infecções virais sistêmicas (gripe).

As dores de cabeça primárias mais comuns da infância são:

  1. Enxaqueca: Também conhecida como migrânea, a enxaqueca possui localização bitemporal ou unilateral alternante. O paciente costuma de queixar de uma dor latejante, associada à aversão à luz (fotofobia) ou à claridade (fonofobia), e que pode estar associada a náuseas e vômitos. Na criança, sua duração pode ser de 1 a 72h e costuma melhorar com o sono em ambiente escuro e silencioso.
  2. Cefaleia tensional: Trata-se de dor de cabeça de frequência quase diária e de baixa intensidade. O paciente refere dor em aperto ao redor da cabeça. Não costuma haver aversão à luz (fotofobia), à claridade (fonofobia) e nem associação com náuseas e vômitos.

Na consulta médica, a coleta de uma boa história e a realização de um adequado exame clínico-neurológico são peças fundamentais para que se chegue ao diagnóstico correto das causas e do tipo de dor de cabeça. Felizmente, mais de 90% dos casos de dor de cabeça possuem causas benignas. De acordo com os dados colhidos, o médico avaliará a necessidade ou não de exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética do crânio.

É importante que o paciente preencha um calendário de dor, onde será registrada a frequência da dor, hora do dia em que surge, fatores associados (alimentação, stress, falta de sono), necessidade de uso de medicação, e etc…

O tratamento divide-se no uso de medicação para abortar a dor de forma aguda e, em alguns casos, no uso de remédios que previnem o surgimento da dor. Neste último caso, enquadramos os pacientes que possuem dores muito frequentes e/ou incapacitantes.